
Sindicato dos Bancários do Maranhão e Sindicato dos Bancários de Bauru criticam proposta de reajuste apresentada pela Contraf-CUT e alertam para possíveis ataques a direitos na pauta que será negociada com a Fenaban.
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A Campanha Salarial 2026 da categoria bancária começou de forma vergonhosa, embora, infelizmente, nada surpreendente. No dia 24 de junho, a Contraf-CUT entregou à Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) a minuta de reivindicações que apresentou em nome dos bancários.
Sem qualquer vergonha e discernimento, a Confederação propôs um reajuste salarial de apenas 5%, estendendo o mesmo índice às demais verbas econômicas, como PLR, vale-alimentação (VA) e vale-refeição (VR), além da reposição integral da inflação medida pelo INPC na data-base. Uma reivindicação rebaixada, que ignora a realidade vivida pelos trabalhadores e enfraquece a luta antes mesmo do início das negociações.
Enquanto os bancários são diariamente responsáveis por garantir que os bancos alcancem lucros bilionários, a Confederação que deveria representá-los apresenta uma reivindicação extremamente limitada, que ignora as necessidades da categoria e reduz o poder de negociação dos trabalhadores. A categoria convive há anos com perdas salariais acumuladas, intensificação da sobrecarga de trabalho, pressão permanente por metas abusivas, adoecimento físico e mental e um custo de vida cada vez mais elevado. Diante desse cenário, reivindicar apenas 5% de aumento é um completo distanciamento da realidade enfrentada pelos bancários.
Para o Sindicato dos Bancários do Maranhão e o Sindicato dos Bancários de Bauru, que não são filiados à Contraf-CUT, essa proposta é uma afronta, absolutamente inaceitável. Pior ainda é classificá-la como “aumento real”, quando, na prática, ela desconsidera décadas de perdas acumuladas e não representa qualquer recuperação efetiva do poder de compra dos trabalhadores.
Em qualquer processo de negociação coletiva, a pauta inicial deve ampliar o espaço para a garantia de direitos e conquista de novos, fortalecendo a posição dos trabalhadores na mesa de negociação. Quando a representação inicia a campanha com reivindicações tão degradadas, oferece os direitos da categoria de bandeja aos banqueiros.
Outras reivindicações
As demais reivindicações apresentadas pela Contraf-CUT sequer foram detalhadas. A entidade limitou-se a mencioná-las de forma genérica. Entre elas estão:
- Fim das metas abusivas;
- Manutenção do atual modelo da PLR (percentual do salário, parcela fixa e adicional);
- Manutenção dos direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT);
- Defesa do emprego bancário e ampliação da rede de agências físicas;
- Defesa dos bancos públicos;
- Distribuição “melhor dos ganhos da tecnologia, com o fim do monitoramento excessivo no teletrabalho, preservando a privacidade do bancário”.
Alerta de perigo! Proposta dos bancos
Apesar da primeira rodada de negociação entre os representantes dos bancários e a Fenaban esteja prevista para ocorrer apenas a partir de julho, a Fenaban já entregou à Contec uma pauta propondo alterações redacionais em cláusulas relacionadas à data-base, Participação nos Lucros e Resultados (PLR), autorregulação sindical, relações sindicais e teletrabalho.
Os Sindicatos chamam a atenção para o fato de que a Contraf-CUT, até o momento, não tenha divulgado esse documento à categoria. Para a entidade, essa omissão é preocupante e dá indícios de que o documento tem tudo para ser uma verdadeira” pauta bomba”, com ataques aos bancários e, principalmente, às entidades sindicais.
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